As maçãs
It all begins with an idea.
Existe uma solidão nas ruas silenciosas, as pessoas apressadas para proteger o rosto do vento gélido, os olhos exaustos pelo escuro do céu antes das quatro da tarde. O inverno sueco convida meias grossas de la e práticas intimistas, como acender velas para o café da manha, assar um bolo de maçã, fruta da árvore mais popular do país. No quintal, temos maçãs vermelhas e verdes, e um fenômeno visto apenas esse ano me maravilha: os galhos nus de todas as árvores da rua, mas a nossa, oferecendo frutos como bolas de natal em um tom fluorescente, como se tivesse esquecido as baixas temperaturas, um manto invisível atravessando as estações. Com a neve lá fora me pergunto quando vamos acender a lareira, e devaneio sobre qual a chama dessa macieira particular?, e enquanto escrevo, deixo um boa noite carinhoso para quem chegou até aqui, um início, um vestígio, um aceno de blog sobre o que cantar ao coração. Podemos falar de maçãs, do que aquece e congela, o desejo ornamentando as nossas ruas, as surpresas do corpo e sensibilidade. Bem-vindos.
There is a solitude in the dark streets, people rushing by to shield their faces from the icy wind, their eyes weary from the endless darkness of the sky. The Swedish winter invites thick woolen socks and intimate rituals, like lighting candles for breakfast or baking an apple cake, using the fruit from the country’s most beloved tree.
In our backyard, we have both red and green apples, and this year, a phenomenon has amazed me: the bare branches of every tree on the street—except ours, still offering its fruit like Christmas ornaments in a fluorescent hue, as if it had forgotten the cold. An invisible cloak, defying the seasons.
With snow outside, I wonder when we’ll light the fireplace and daydream about the unique flame of this apple tree. And as I write, I leave a heartfelt goodnight to those who’ve read this far—a beginning, a trace, a wave from a blog about what sings to the heart.
We can talk about apples, about what warms and freezes, about the desire adorning our streets, the surprises for our bodies and sensibilities. Welcome.